Capacitação económica da maioria negra

A política sul africana de Capacitação Económica da Maioria Negra (vulgarmente conhecida por BEE - Black Economic Empowerment) não é apenas uma iniciativa moral de redimir os erros do passado. Trata-se de uma estratégia de crescimento pragmática que tem como objectivo abranger todo o potencial económico do país.

Nas décadas que antecederam a democracia (1994), o governo apartheid excluía sistematicamente os Africanos, Indianos e as pessoas de cor de qualquer tipo de participação activa na economia do país.

Causou inevitavelmente muita pobreza e sofrimento – e uma economia profundamente doente.

As distorções na economia acabaram por conduzir a uma crise que teve início nos anos setenta, altura em que o PIB caiu a zero para depois flutuar nos 3,4% nos anos oitenta. Numa época em que economias em vias de desenvolvimento com recursos semelhantes estavam a crescer, a África do Sul estagnava.

Potencial e possibilidades

“O nosso país precisa de uma economia que vá ao encontro de todos os nossos cidadãos económicos - das nossas gentes e das suas empresas - de uma maneira sustentável” - afirma o Ministério do Comércio e Indústria (MCI) no seu documento referente à estratégia BEE.

“Tal só será possível se a nossa economia assentar no potencial de todas as pessoas e de todas as comunidades em todo o comprimento e em toda a largura deste país.”

Apesar dos muitos progressos obtidos desde 1994 – a taxa de crescimento foi de 4% ou mais em cada trimestre de 2004 – permanece a divisão racial entre ricos e pobres. Como o MCI salienta, essas desigualdades poderão ter consequências profundas na estabilidade política do país:

“As sociedades caracterizadas por desigualdades profundas ou disparidades de riqueza de ordem racial ou étnica não poderão ser social nem politicamente estáveis, em particular porque o crescimento económico pode facilmente exacerbar essas desigualdades.”

Crescimento geral

A capacitação económica da maioria negra (BEE) não é uma acção afirmativa, embora a igualdade de emprego dela faça parte. Nem tão pouco pretende retirar riqueza dos brancos para a dar aos negros. É basicamente uma estratégia de crescimento, cujo objectivo está direccionado para o ponto mais fraco da África do Sul: a desigualdade.

“Nenhuma economia pode crescer excluindo qualquer fatia do seu povo e uma economia que não cresça não pode integrar todos os seus cidadãos de uma maneira significativa”, disse o MCI.

“Como tal, esta estratégia assenta num processo de BEE que está associado ao crescimento, desenvolvimento e criação de empresas e não apenas à redistribuição da riqueza existente.”

A capacitação económica da maioria negra, a que nos referiremos pela sigla inglesa BEE, é portanto um instrumento relevante no alargamento da base económica do país – e através dela, na estimulação de mais crescimento económico e criação de emprego.

A estratégia é ampla nos seus propósitos, como se mostra em nome da legislação: a Lei Geral da Capacitação da Economia da Maioria Negra, de 2003.

O que reflecte o tipo de abordagem por parte do governo, que é “situar a capacitação económica da maioria negra no contexto de uma estratégia de capacitação económica mais abrangente… focalizada nos tradicionalmente mais desfavorecidos, muito em particular nos negros, mulheres, jovens, deficientes e comunidades rurais.”

Como o MCI aponta, discriminação “é tão mais grave quando a raça coincide com o sexo e/ou incapacidade física.”

Como alcançar a BEE?

A BEE ou Capacitação da Economia de Maioria Negra é conduzida por legislação e regulamentação. Parte integrante da Lei de BEE de 2003 está um painel de sectores, que mede o progresso dessa capacitação económica das empresas em quatro áreas:

  • Emprego directo através de propriedade e controlo de empresas e bens.
  • Direcção e administração ao nível sénior.
  • Desenvolvimento dos recursos humanos e igualdade de oportunidades de emprego.
  • Capacitação económica indirecta mediante:
    • aquisições preferenciais,
    • criação de empresas, e
    • investimento social empresarial (uma categoria residual e não limitada).

Este painel, bem como um painel para multinacionais, é definido e elaborado nos códigos BEE de boas práticas.

Os códigos de boas práticas, que regem como as empresas devem conduzir os seus negócios na África do Sul, permite às empresas globais e multinacionais alguma flexibilidade em como poderão estruturar a sua capacitação económica. Por exemplo, a representação não tem sempre de ser ao nível de propriedade ou posse.

Os códigos unem todos os organismos oficiais e empresas públicas e pede-se ao governo que os aplique sempre que tome decisões sobre:

  • aquisições,
  • licenciamento e concessões,
  • parcerias públicas ou privadas, e
  • a venda de bens ou negócios de propriedade do estado.

As empresas privadas deverão aplicar estes códigos se quiserem fazer negócios com qualquer organismo ou empresa pública – por outras palavras, concorrer a concursos públicos, pedir licenças e concessões, entrar em parcerias público-privadas ou comprar bens de propriedade do estado.

As empresas são também incentivadas a aplicar os códigos nas suas mútuas interacções, dado que as aquisições preferenciais afectarão sobretudo as empresas privadas ao longo da cadeia de fornecimentos.

Solicita-se às várias indústrias que estabeleçam as suas próprias cartas de direitos sobre BEE, a fim de que todos os sectores adoptem linhas de actuação uniformes e de como as devem seguir.

O MCI tem todos os respectivos documentos e toda a informação acerca da Capacitação Económica de Maioria Negra (BEE) disponível online, incluindo (websites em língua inglesa):

Este artigo foi actualizado em: Julho de 2008

Repórter infoSA. Fontes (websites em língua inglesa):

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'Nenhuma economia pode crescer excluindo qualquer fatia do seu povo e uma economia que não cresça não pode integrar todos os seus cidadãos de uma maneira significativa' – a partir do documento de estratégia de capacitação económica de maioria negra (Foto: Hannelie Coetzee / MediaClubSouthAfrica.com)

África do Sul: aberta aos negócios

Aberta aos negócios

A África do Sul oferece uma combinação única de uma infra-estrutura económica altamente desenvolvida aliada a uma forte economia de mercado vibrante e emergente.

Motor principal da economia

A capacitação económica da maioria negra tem tido um profundo efeito na economia sul africana, representando as transacções BEE 200 biliões de rands na última década, segundo os valores da agência Moody’s (Maio de 2008).

A BEE é o motor principal da actividade empresarial, como as fusões ou as aquisições, e as previsões da Moody's dizem que a tendência é para continuar, com 52% dos negócios privados na África do Sul a sofrerem uma mudança de propriedade nos próximos 10 anos.

Em 2007 fizeram-se 153 transacções equivalendo a 96 biliões de rands. O valor dos negócios BEE em 2006 foi de 56 biliões.

Alguns destes negócios de mais relevo contam-se:

  • Numa operação de 28 biliões de rands, a petroquímica SASOL planeia pôr à disposição dos negros sul africanos 63 milhões de acções, ou seja, 10% do seu capital social.
  • A Anglo Platinum, o maior produtor mundial de platina, projecta vender activos das suas minas a grupos BEE e estabelecer uma comparticipação de acções para os empregados que, juntos, colocarão activos no valor de 35 biliões de rands sob o controlo dos sul africanos tradicionalmente menos favorecidos.
  • O grupo Vodacom das telecomunicações móveis pretende transformar o capital da empresa e alargar a sua posse aos seus empregados mediante um negócio BEE de 7,5 biliões de rands.